REDESENHANDO HISTÓRIAS

 

O trabalho que transforma muitas vidas com um pouco de pigmento e traços de talento surge como um aluz no fim do túnel para quem achou que não poderia mais recuperar a autoestima. A micropigmentação paramédica cresce diariamente como um importante ramo da estética e encontra cada vez mais a possibilidades de atuação.


A vida deixa marcas. Em todas as situações que vivemos, um ratstro do momento fica ou em nossa memória ou em nosso corpo. Em grande parte das vezes, a marca física é sempre mais impactante porque é visível, não nos deixa esquecer do que aconteceu, tanto para o bem quanto para o mal. Um acidente, uma doença, um trauma são ainda mais fortes porque, geralmente, causam uma mudança grande na aparência e, dependendo do caso, são um golpe violento na autoestima. No entanto, existem maneiras de transformar esta lembrança dolorosa em alegria, em recuperação do amor próprioe, principalmente, na retomada de uma vida. 

 

A micropigmentação paramédica ou dermopigmentação reparadora é uma modalidade dentro da estética que tem o intuito de recuperar os traços corporais de uma pessoa que passou por um trauma e o sperdeu. Uma das situações que mais requerem a técnica são pacientes que acabaram de se curar de um câncer de mama. "O procedimento pretende melhorar a qualidade de vida, a autoestima e a confiança de pacientes que não podem encontrar mais nenhuma ajuda nos serviços de saúde, por exemplo, mulheres que foram submetidas a uma mastectomia, seguida de um câncer de mama, e se sentem incompletas por não terem aréolas ou mamilos. Nós ajudamos essas pacientes a se sentirem mulheres novamente", aponta a professora e micropigmentadora Tarryn Vice.

 

Para esse momento, a técnica é crucial e traz resultados bem naturais. "É a parte final da jornada do paciente. Uma vez que a cirurgia está completa, o tratamento traz de volta à normalidade. É suave em comparação a outros procedimentos e, quando feita corretamente, é um belo trabalho de arte. O cliente se sente feliz e completo novamente", aponta a especialista em micropigmentação paramédica, Helen Porter.

 

O tratamento é indicado para o redesenho do complexo de aréolas mamárias e mamilos depois de uma cirurgia para retirada de um câncer, na restauração da pele de pessoas que sofreram queimaduras ou acidentes, para colorir ou suavizar cicatrizes, para camuflar excertos corporais, no couro cabeludo para suavizar a falta de cabelos, para lábios leporinos e para vertiligo. Mas este último requer um pouco mais de cuidado. "Não utilizo a dermopigmentação nos casos de vitiligo em pessoas jovens, pois o problema precisa estar estável e isso é muito difícil. Existe o risco de ocorrer o foenômeno de koebner, onde a área do vitiligo pode aumentar quando agredida. E a dermopigmentação é uma agressão", explica a fisioterapeuta dermatofuncional Angela Lange.

Conteudo, não é preciso sofrer algo de magnitude para precisar do serviço. Há um universo para a micropigmentação que não tem o objetivo puramente estético. "As possibilidades de tratamentos são amplas e não limitadas. Como profissional, eu vou fazer o meu melhor para ajudar o paciente. Eu mesma já micropigmentei as unhas dos pés de uma pessoa que as perdeu depois de uma remoção cirúrgica. A paciente, neste caso, sentia que nunca mais iria poder usar sapatos abertos. As unhas dos pés redesenhadas lhe deram confiança para usar sandálias, algo que ela pensou nunca mais poder fazer de novo", comenta Vice.

 

Este trabalho vai muito além das mudanças (ou retomadas) físicas. Este trabalho vai muito além das mudanças (ou retomadas) físicas. Saber realizá-lo corretamente promete trazer ao profissional de estética recompensas mais do que financeiras e talvez aí esteja o melhor da prática. "As mulheres que passaram por um câncer de mama e foram mutiladas pela mastectomia, por exemplo, veem no nosso trabalho um resgate àquela mama perdida. É um dos trabalhos mais lindos que já fiz! Muito gratificante!", conta Lange.

 

 

O traço perfeito

 

Os dermopigmentadores são considerados os artistas da estética. Não é para menos! Desenhos e cores dão sentido à sua profissão, só que a base utilizada por eles não é o papel e sim a pele humana. por isso, a responsabilidade dobra e a chance de errar tem que estar bem próxima do zero. E para fugir das intercorrências, é preciso saber aplicar a técnica com perfeição.

Para isso, o profissional precisa ter capacitação adequada em instituições de ensino qualificadas, ter um demógrafo de excelência, agulhas próprias e pigmentos de qualidade. "O aparelho faz com que a agulha vibre e, em contato com a pele, provoque pequenas escoriações. Isso faz com que o pigmento penetre", explica lange.

 

A hora de depositar o pigmento na pele é o mais importante e mais crucial de todo o processo. mas antes de pensar em técnica, é preciso escolher bem a tinta que vai dar, literalmente, cor ao trabalho. "Os pigmentos utilizados para a micropigmentação paramédica são feitos de óxidos de ferro de grau médico e não contém metais pesados, substâncias cancerígenas ou de base animal. Eles são diferentes de qualquer outra tinta de tatuagem ou corante. É fudamental que sejam apoiados nas mais alta e absoluta classificação de segurança e que sejam testados com rigor. Seria muito antiético introduzir pigmentos inseguros ou não testados em qualquer tipo de corpo", alerta Vice.

 

No momento da sessão, a grande necessidade é avaliar bem o paciente e entender no que ele precisa ser ajduado. Há uma lista de pessoas que não podem realizar este procedimento e é preciso estar alerta. as contraindicações são para alérgicos a corantes, quem sofre com queloide ou excesso de formação em cicatrizes, gestantes ou lactantes, menores de 18 anos, pessoas que estejam tomando remédio para acne, como o Roacutan, ou para alcoolismo, como o Antabuse, hemofílicos, pessoas que sofrem de epilepsia e que tenham tido uma convulsaõ nos últimos dois anos e diabéticos. os pacientes que estão sendo medicados com anticoagulantes e pessoas que passaram ou passarão pela quimioterapia cinco semanas antes de a micropigmentação precisam de autorização médica. Quanto à forma de aplicação (que pede um anestésico local antes de encostar o dermógrafo na pele(, ela vai depender de alguns fatores. "O aparelho e pigmentos são os mesmos para todas as indicações do tratamento, o que pode mudar é a região do corpo, o número das pontas na agulha e a maneira de desenhar sobre a pele. Podem ser utilizadas técnicas como a ponto a ponto, espiral aberto ou fechado, zigue-zague e outras", ensina Lange.

Ela esclarece que em todos os casos deve-se depositar o pigmento nas camadas mais profundas da epiderme e no início da derme.

 

Procedimentos muito agressivos, que depositam o pigmento somente na derme profunda, têm um risco grande de desencadear cicatrizes hipertróficas. No caso da micropigmentação feita nos seios, há uum pré-procedimento que, muitas vezes, precisa ser adotado. "Para a micropigmentação de aréolas mamárias, é preciso entender que cada tipo e tom de pele é diferente. Então, podem haver situações em que será preciso usar pigmentos de camuflagem antes de pigmentar a aréola, para conseguir obter a cor ideal", elucida Helen Porter.

O número de sessões não foge muito à regra da estética: entre 2 e 10 sessões, dependendo do caso. "Geralmente, fazemos uma aplicação e, aos 90 dias, uma revisão. Nessa revisão, avalio a necessidade de reforçar a tonalidade ou corrigir alguma falha", explica Lange.

 

No entanto, os muitos casos que exigem a reparação também têm tempos individuais. "Se você está recriando o complexo do mamilo e aréola mamária, 2 a 3 sessões são indicadas com intervalo de 4 e 10 sessões, dependendo do tamanho da cicatriz e também de como o paciente responde ao tratamento. A camuflagem requer de 2 a 3 sessões de dermopigmentação e são exigidos alguns testes na fase incial para saber se o pigmento é correspondente à cor da pele do paciente", enumera Vice.

 

A duração do pigmento na pele não é definitiva, porém, há um grande risco de ocorrer desbotamento e alteração de tonalidade Há uma estimativa para isso ocorrer que é mais ou menos parecida para a maioria das pessoas, mas como ninguém é igual e as fisiologias também não são, nem tudo segue um padrão. "O corpo reconhece o pigmento e o deixa visível na pele, mas, depois de um tempo, quebra sua estrutura, o que significa que ele vai ser absorvido e eventualmente desaparecer. Cada organismo tem um tempo diferente para fazer isso e os fatores externos como exposição solar e medicamentos também podem influenciar", aponta Porter.

Em média, de 2 a 3 anos é o tempo de permanência forte do pigmento, por isso, sessões de manutenção após este período são essenciais para manter o desenho intacto.

 

 

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